Quase oitocentos artistas, escritores e criadores assinaram uma carta aberta criticando empresas de tecnologia pelo uso de obras protegidas por direitos autorais no treinamento de sistemas de inteligência artificial, sem autorização ou pagamento. A iniciativa é liderada por Cyndi Lauper e recebeu um nome direto e provocador: “Stealing Isn’t Innovation”, ou, em português, “Roubar não é inovar”.
Além de Lauper, o manifesto reúne nomes importantes da música, do cinema e da literatura, como Bonnie Raitt, Jennifer Hudson, LeAnn Rimes, as bandas R.E.M., OneRepublic e MGMT, a atriz Scarlett Johansson e a escritora Jodi Picoult. A diversidade dos participantes mostra que a preocupação vai muito além da indústria musical.
A campanha foi lançada pela Human Artistry Campaign, coalizão criada em 2023 pela RIAA e pela Associação Nacional de Editores de Música dos Estados Unidos. No texto, os signatários acusam grandes empresas, muitas delas apoiadas por fundos bilionários, de usarem o trabalho criativo de artistas para desenvolver plataformas de inteligência artificial, ignorando leis de direitos autorais.
A carta afirma que existe um caminho ético e viável, baseado em acordos de licenciamento e parcerias. O manifesto é contundente ao afirmar que usar obras sem permissão não é progresso nem inovação, mas roubo. Segundo os criadores, sem regras claras, artistas correm o risco de serem sufocados por conteúdos gerados por inteligência artificial que competem diretamente com as obras originais.